Novembro 2007
Por Laurie Weber
Café certificado como Orgânica apresenta novas oportunidades para agricultores familiares na Bahia. A Fundação SHARE ajuda muitos produtores de café conseguir certificação orgânica através do fornecimento de capacitação e acompanhamento na propriedade. Para obter a certificação orgânica é necessário um período de transição de três anos sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, além de outras práticas exigidas pela empresa certificadora. Depois deste período de três anos, a lavoura poderá ser certificada como orgânica. Cada ano um fiscal visita a propriedade antes da colheita para fazer coleta de amostra de solo e da lavoura para análise laboratorial.
O preço de café orgânico é dobro do preço da café convencional. Os preços para produção orgânica são mais estáveis ano após ano e o custo da produção é mais ou menos 30 % menos sendo que não utilizam agrotóxicos. Todavia, essa vantagem é diminuída com produtividade menor.
Os técnicos apoiados por SHARE promovem discussões entre agricultores em comunidades vizinhas que esperam melhorar o poder de barganha na comercialização da produção. Os razões para produzir organicamente não são apenas econômicos. O Sr. Mariano, um produtor de café de terceira geração entende na importância da natureza: "No início, o razão para iniciar produzir organicamente foi por causa do mercado, mas a minha cabeça foi mudando nos últimos anos na medida em que vi os benefícios para a terra e o meio ambiente. Estou feliz que estou fazendo alguma coisa boa para o meio ambiente."
Programa Germinar: Cursos de Formação para Lideranças: Ricardo Javier, o coordenador brasileiro do Programa SHARE, adaptou os cursos Germinar para grupos de agricultores que recebem terra através do programa de Reforma Agrária. Esses cursos populares, apoiados pela Fundação SHARE cobram tópicos como liderança, fazendo e atingindo objetivos, trabalhando em grupo, gerenciamento de recursos financeiros e resolução de conflitos.
Por Estevão Hood
Estou convencido que os projetos apoiados por SHARE são exitosos por três razões. Estas razões se tornaram mais óbvias para mim durante a minha viagem recente ao Brasil para visitar projetos. Os projetos SHARE estão integrados. A Fundação SHARE é flexível. A Fundação SHARE escuta.
Primeira, SHARE tem uma abordagem integrada com respeito de projetos. Muitas vezes a SHARE apóiam projetos em comunidades onde também apóia técnicos agrícolas, que iniciam com projetos pequenos e depois passam para projetos maiores. Os técnicos acompanham os projetos dando orientação agrícola e empresarial. Isso faz uma grande diferença em comunidades rurais isoladas.
Segunda, SHARE tem uma flexibilidade suficiente para se adaptar com necessidades que mudam. Numa comunidade a SHARE aprovou recursos para a aquisição de um tanque de resfriamento de leite. Mas quando o governo forneceu recursos para a aquisição do tanque do leite, os recursos da SHARE foram realocados para a construção de um prédio para o tanque do leite.
Terceiro, a SHARE escuta. SHARE pergunta os grupos o que eles precisam. SHARE discute com o grupo como o projeto será executado. O povo sente que o projeto o pertença quando a idéia inicial fora deles. Vi pessoalmente o que acontece quando os grupos não são consultados. Numa comunidade, uma estufa construída para a produção de pimentão não foi utilizada, porque ninguém pensou na logística do transporte do pimentão para o comércio. SHARE escuta e pergunta para certificar que os planos são bem pensados, e em seguida facilita a execução e acompanha para garantir o sucesso. Vi pessoalmente porque os projetos da SHARE têm êxito: projetos integrados, flexibilidade e uma abordagem consultiva.
Pergunta: Como foi a SHARE te ajudou a se tornar um agricultor melhor?
Ronivon: Durante os últimos dois anos, os técnicos apoiados pela SHARE se tornaram um grande recurso para eu e meu pai. Fiz um curso sobre produção de ovelhas onde aprendi novas práticas. Por exemplo, aprendi como muita vegetação nativa como bagaço de sisal pode ser usado para ração animal. Os técnicos continuam ser um recurso, e muitas vezes discutimos novas maneiras para aumentar a produção. Também se tornamos produtores orgânicos através das orientações deles. Agora que temos mais experiência e somos mais exitosos, podemos sobreviver com a renda gerada na propriedade. Até recentemente, meu pai precisava trabalhar como assalariado; isso é a situação para muitas pessoas na minha comunidade.
Pergunta: Se você não fosse agricultor, quais seriam outras opções?
Ronivon: Muitos dos meus amigos foram trabalhar em outros estados cortando cana de açúcar. O dinheiro é pouco e é muito longe de casa. Outros amigos trabalham assalariado para grandes produtores. Todavia, conheço cinco jovens agricultores que estão ficando aqui e trabalhando na agricultura, espero por causa do meu exemplo.
Pergunta: Qual é o seu maior desafio?
Ronivon: Comercialização. Vendo para um atravessador local porque não tenho muitas opções e porque só tem um comprador.
Pergunto: Quais são teus planos para o futuro?
Ronivon: Espero aumentar a produção com a aquisição de mais ovelhas. Fizemos um cálculo que a área da nossa propriedade pode comportar 100 cabeças de ovelhas, então vamos ir neste sentido.
Um prédio foi reformado para acomodar uma máquina de extração de óleo (biodiesel) utilizando recursos de AGRISKILLS (apoiado pela Federação da Agricultura de Ontario) e SHARE. A máquina ajudará gerar renda para a Faculdade de Pesquisa e para os agricultores da região. O Biodiesel produzido do girassol ou da soja será adquirido pelo o governo através do programa Fome Zero.
Ricardo Javier, coordenador brasileiro de SHARE, adaptou cursos do Germinar para formar grupos de agricultores que foram beneficiados pelo Programa de Reforma Agrária. Estes cursos populares, financiados pela SHARE, inclua temas como liderança, planejamento para atingir objetivos, trabalho em grupo, gerenciamento de recursos, e resolução de conflitos.
Um Centro de Referência de Pesquisa e Formação, onde Fabiano, o técnico agrícola de SHARE trabalha, recebeu financiamento para a aquisição de uma carroça, um plantador manual, uma cisterna de água e outros insumos. Numa outra área, 100 destes plantadores manuais de sementes foram adquiridos, para permitir que os pequenos agricultores (que plantavam à mão) possam duplicar a área de terra plantada num dia.