Mesmo depois de 30 anos os descendentes de 42 vacas holandesas doadas e enviadas ao Brasil em 1977 pelos agricultores Canadenses, através da SHARE, ainda continuam produzindo reprodutores, para cruzamento com o rebanho local, e leite, para crianças de ruas e da periferia. Hugh e Melba Beaty, criadores aposentados de gado leiteiro da região de Milton, dedicaram 2 anos para manejar o rebanho e para treinar os agricultores locais. Hugh revisitou 16 vezes como coordenador do projeto da SHARE para verificar os resultados deste projeto.
Mark Cullen, patrono honorário da SHARE, escreveu sobre este exemplo de microcrédito financiado pela SHARE enquanto visitava o Brasil com Bob Thomas, coordenador voluntário do projeto: "Conheci Maria. Ela vive cerca de 1 hora de Santaluz no nordeste do Brasil em uma fazenda que está rodeada por cactos. A ela foi emprestado o equivalente a 500 dólares canadenses do fundo de micro-crédito da SHARE, ao qual ela tinha de reembolsar em 2 anos, acrescidos de juros de 2% a.a.. No projeto constava: a construção de um galinheiro, cercas para o galinheiro, o equivalente a 2 meses de ração, comedouro, bebedouros e 100 pintos. Ela fez tudo e pagou tudo à tempo! Agora ela tem a infra-estrutura para produzir mais frangos, ração, a água é capitada da chuva em cisterna feitas por ela própria e vive a vida aqui fazendo o que ela conhece, compreende e tem uma paixão.
A história se repete todo tempo e nunca durante os 4 anos de existência do programa de microcrédito um agricultor de deixou ou atrasou o pagamento de seu empréstimo. "
No Brasil, os técnicos em agropecuária que dão apoio às comunidades financiadas pela SHARE em parceria com a CIDA, estão ajudando as mulheres rurais a registrar e adquirir os seus documentos para que possam beneficiar de serviços sociais e de saúde, atingir o crédito e propriedade da terra. A administração por mulheres pode tornar-se estratégica, nas comunidades, para a saúde, educação, produção, planejamento e comercialização.
SHARE tem o prazer de anunciar que a nossa fundação foi agraciada com um financiamento da Agência de Desenvolvimento Internacional Canadense (CIDA) para um projeto de 3 anos no Brasil. Este projeto irá concentrar em ajudar as famílias rurais a melhorar suas habilidades agrícolas para produzir alimentos e se tornar auto-suficiente.
SHARE irá apoiar os técnicos em agropecuária em 3 estados do Brasil que oferecerá treinamento agrícolas para os camponeses.
O projeto proporcionará formação e troca de informações em um encontro anual de produtores orgânicos (EPO), ajudará na formação e certificação orgânica dos cajucultores, capacitação em comercialização agrícola, criação, organização e gestão de micro-crédito e fundos para melhorar pesquisas já existentes sobre plantas nativas e de biodiversidade. Indiretamente, mais de 22.000 trabalhadores rurais no Brasil será beneficiados do trabalho e ações da CIDA.

Nas áreas secas do Nordeste do Brasil, plantas de sisal são destinadas à produção de fios, cordas e tapete. Após o processo de secagem, as fibras são separadas e podem ser feitas em corda. O restante do revestimento externo da folha que foi pro muito tempo tratado como resíduo e jogado fora, agora são aproveitados pelos agricultores treinados através dos técnicos financiados pela SHARE, para utilizar o resíduo como silagem para o gado. Esta silagem pode ser armazenado com segurança em covas no solo por 2 anos e, em seguida, usado como ração para os ovinos, caprinos e bovinos durante os períodos de seca. Uma vantagem adicional é que a silagem tem de 66% de umidade, reduzindo a necessidade dos animais consumirem água.
O uso do conhecimento e as técnicas ensinadas pelos 5 técnicos, financiados pela SHARE e nos próximos 3 anos pela SHARE /CIDA, vai ajudar a muitos pequenos agricultores auto-suficiente nesta e em outras áreas pelo Brasil.
Na região sisaleira baiana, no nordeste do Brasil, cultiva-se o sisal para produção de cordão, cordas e tapetes. Após o processo de secagem, as fibras são separadas para produzir corda. O bagaço das folhas era jogado fora, mas agora agricultores são capacitados por técnicos agrícolas da SHARE para utilizar o resíduo como silagem nutritiva para ração animal.
A silagem é guardada em silos trincheiras e destinada para alimentar ovinos, caprinos e gado. Uma vantagem a mais nesta atividade é que a silagem tem 66 % de umidade, ajudando a fornecer água para os animais. Os técnicos analisam o valor nutritivo proteico da silagem.
Usando técnicas ensinadas pelos técnicos agrícolas da SHARE, a agricultura familiar vem se tornando auto-suficiente no município de Santaluz/ Bahia. Durante os próximos três anos o projeto da SHARE/ CIDA vai apoiar cinco técnicos agrícolas no nordeste para ajudar famílias agricultoras a se tornarem auto-suficientes na produção.
Em El Salvador, cinco técnicos agrícolas que também são agricultores, vão capacitar famílias das suas comunidades a cultivar uma variedade de plantas para melhorar a nutrição familiar e ajudar na geração de renda. O papel dos técnicos agrícolas incluirá: identificar beneficiários para os fundos de micro-crédito, trabalhar em cooperação com outras lideranças comunitárias para identificar necessidades locais, preencher formulários para tomada de empréstimos, fornecer capacitação e consultoria em agropecuária.
Foto: Folhas de sisal são trazidas do roçado para serem secas e depois processadas, separando as fibras para a produção de cordão, corda e tapetes. Os técnicos agrícolas da SHARE treinam agricultores a fazer silagem do bagaço anteriormente jogado fora para ração animal.
Foto: Um jovem líder comunitário do Sindicato dos Agricultores Familiares de Santaluz (BA) usa um separador para mostrar como se prepara uma ração nutritiva do bagaço do sisal para gado, ovinos e caprinos. O processo permite que as famílias agricultoras se tornem auto-suficiente.
A Fundação SHARE está honrada em anunciar que a organização conseguiu receber financiamento da Agência de Desenvolvimento Internacional Canadense (ADIC / CIDA) para um projeto agrícola com duração de três anos no Brasil. Neste financiamento, a CIDA participa com 75% do recurso e a Fundação SHARE com 25% do total a ser investido.
O projeto está focado na ajuda às famílias agricultoras para ampliar o seu conhecimento agrícola no cultivo de alimentos, visando melhorar a nutrição familiar, a auto-suficiência e a geração de renda. A Fundação SHARE vai apoiar técnicos agrícolas em quatro estados brasileiros (Ceará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul) para fornecer assistência técnica para agricultores familiares. O projeto desenvolverá um viveiro de plantas nativas, apoiará Encontros Anuais de Produtores Orgânicos, ajudará em capacitação e certificação orgânica para produtores de caju / castanha, fornecerá treinamento em comercialização agrícola e capacitação em gerenciamento de fundo de micro-crédito e melhoramento de instalações de pesquisa agrícola existentes. Mais de 22.000 pessoas que vivem no meio rural do Brasil serão beneficiadas pela parceria entre a Fundação SHARE e CIDA neste projeto.
Novamente a Fundação SHARE será parceira com a Agência de Desenvolvimento Internacional Canadense (ADIC / CIDA) em um projeto trienal em El Salvador. O foco deste projeto é alfabetização de jovens e adultos e treinamento agrícola em 40 comunidades rurais. Mais de 800 homens e mulheres aprenderão a ler e escrever através de um curso com currículo aprovado pelo Ministério de Educação em El Salvador. O treinamento agrícola habilitará mais de 400 homens e mulheres a produzir alimentos para suas famílias e para comercializar em mercados locais. Um total de mais de 12.000 homens, mulheres e crianças empobrecidos serão beneficiários deste projeto. A Fundação SHARE vai monitorar de perto este projeto em parceria com uma ONG do movimento sindical de âmbito nacional em El Salvador. Os recursos levantados por doadores à Fundação SHARE para este projeto serão multiplicado na relação 3:1 pelo governo canadense.
Novembro 2007
Por Laurie Weber
Café certificado como Orgânica apresenta novas oportunidades para agricultores familiares na Bahia. A Fundação SHARE ajuda muitos produtores de café conseguir certificação orgânica através do fornecimento de capacitação e acompanhamento na propriedade. Para obter a certificação orgânica é necessário um período de transição de três anos sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, além de outras práticas exigidas pela empresa certificadora. Depois deste período de três anos, a lavoura poderá ser certificada como orgânica. Cada ano um fiscal visita a propriedade antes da colheita para fazer coleta de amostra de solo e da lavoura para análise laboratorial.
O preço de café orgânico é dobro do preço da café convencional. Os preços para produção orgânica são mais estáveis ano após ano e o custo da produção é mais ou menos 30 % menos sendo que não utilizam agrotóxicos. Todavia, essa vantagem é diminuída com produtividade menor.
Os técnicos apoiados por SHARE promovem discussões entre agricultores em comunidades vizinhas que esperam melhorar o poder de barganha na comercialização da produção. Os razões para produzir organicamente não são apenas econômicos. O Sr. Mariano, um produtor de café de terceira geração entende na importância da natureza: "No início, o razão para iniciar produzir organicamente foi por causa do mercado, mas a minha cabeça foi mudando nos últimos anos na medida em que vi os benefícios para a terra e o meio ambiente. Estou feliz que estou fazendo alguma coisa boa para o meio ambiente."
Programa Germinar: Cursos de Formação para Lideranças: Ricardo Javier, o coordenador brasileiro do Programa SHARE, adaptou os cursos Germinar para grupos de agricultores que recebem terra através do programa de Reforma Agrária. Esses cursos populares, apoiados pela Fundação SHARE cobram tópicos como liderança, fazendo e atingindo objetivos, trabalhando em grupo, gerenciamento de recursos financeiros e resolução de conflitos.
Por Estevão Hood
Estou convencido que os projetos apoiados por SHARE são exitosos por três razões. Estas razões se tornaram mais óbvias para mim durante a minha viagem recente ao Brasil para visitar projetos. Os projetos SHARE estão integrados. A Fundação SHARE é flexível. A Fundação SHARE escuta.
Primeira, SHARE tem uma abordagem integrada com respeito de projetos. Muitas vezes a SHARE apóiam projetos em comunidades onde também apóia técnicos agrícolas, que iniciam com projetos pequenos e depois passam para projetos maiores. Os técnicos acompanham os projetos dando orientação agrícola e empresarial. Isso faz uma grande diferença em comunidades rurais isoladas.
Segunda, SHARE tem uma flexibilidade suficiente para se adaptar com necessidades que mudam. Numa comunidade a SHARE aprovou recursos para a aquisição de um tanque de resfriamento de leite. Mas quando o governo forneceu recursos para a aquisição do tanque do leite, os recursos da SHARE foram realocados para a construção de um prédio para o tanque do leite.
Terceiro, a SHARE escuta. SHARE pergunta os grupos o que eles precisam. SHARE discute com o grupo como o projeto será executado. O povo sente que o projeto o pertença quando a idéia inicial fora deles. Vi pessoalmente o que acontece quando os grupos não são consultados. Numa comunidade, uma estufa construída para a produção de pimentão não foi utilizada, porque ninguém pensou na logística do transporte do pimentão para o comércio. SHARE escuta e pergunta para certificar que os planos são bem pensados, e em seguida facilita a execução e acompanha para garantir o sucesso. Vi pessoalmente porque os projetos da SHARE têm êxito: projetos integrados, flexibilidade e uma abordagem consultiva.
Pergunta: Como foi a SHARE te ajudou a se tornar um agricultor melhor?
Ronivon: Durante os últimos dois anos, os técnicos apoiados pela SHARE se tornaram um grande recurso para eu e meu pai. Fiz um curso sobre produção de ovelhas onde aprendi novas práticas. Por exemplo, aprendi como muita vegetação nativa como bagaço de sisal pode ser usado para ração animal. Os técnicos continuam ser um recurso, e muitas vezes discutimos novas maneiras para aumentar a produção. Também se tornamos produtores orgânicos através das orientações deles. Agora que temos mais experiência e somos mais exitosos, podemos sobreviver com a renda gerada na propriedade. Até recentemente, meu pai precisava trabalhar como assalariado; isso é a situação para muitas pessoas na minha comunidade.
Pergunta: Se você não fosse agricultor, quais seriam outras opções?
Ronivon: Muitos dos meus amigos foram trabalhar em outros estados cortando cana de açúcar. O dinheiro é pouco e é muito longe de casa. Outros amigos trabalham assalariado para grandes produtores. Todavia, conheço cinco jovens agricultores que estão ficando aqui e trabalhando na agricultura, espero por causa do meu exemplo.
Pergunta: Qual é o seu maior desafio?
Ronivon: Comercialização. Vendo para um atravessador local porque não tenho muitas opções e porque só tem um comprador.
Pergunto: Quais são teus planos para o futuro?
Ronivon: Espero aumentar a produção com a aquisição de mais ovelhas. Fizemos um cálculo que a área da nossa propriedade pode comportar 100 cabeças de ovelhas, então vamos ir neste sentido.
Um prédio foi reformado para acomodar uma máquina de extração de óleo (biodiesel) utilizando recursos de AGRISKILLS (apoiado pela Federação da Agricultura de Ontario) e SHARE. A máquina ajudará gerar renda para a Faculdade de Pesquisa e para os agricultores da região. O Biodiesel produzido do girassol ou da soja será adquirido pelo o governo através do programa Fome Zero.
Ricardo Javier, coordenador brasileiro de SHARE, adaptou cursos do Germinar para formar grupos de agricultores que foram beneficiados pelo Programa de Reforma Agrária. Estes cursos populares, financiados pela SHARE, inclua temas como liderança, planejamento para atingir objetivos, trabalho em grupo, gerenciamento de recursos, e resolução de conflitos.
Um Centro de Referência de Pesquisa e Formação, onde Fabiano, o técnico agrícola de SHARE trabalha, recebeu financiamento para a aquisição de uma carroça, um plantador manual, uma cisterna de água e outros insumos. Numa outra área, 100 destes plantadores manuais de sementes foram adquiridos, para permitir que os pequenos agricultores (que plantavam à mão) possam duplicar a área de terra plantada num dia.